“Negligência da CPP matou meu marido”, diz esposa de detento morto com tuberculose

Negligência foi o motivo da morte de Antônio Marques*, de 29 anos, preso da Casa de Prisão Provisória (CPP), do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. É o que afirma Marta Alcântara*, esposa do detento que morreu no último dia 14 de abril, após contrair tuberculose no local. Segundo a mulher, o reeducando apresentou os primeiros sintomas da doença há cerca de quatro meses. Febre, tosse, falta de ar, dor no peito e insuficiência urinária. No entanto, atesta ela, todas as vezes que o marido era levado para o Pronto-Socorro da unidade prisional, o diagnóstico era o mesmo: gripe.

“Não fizeram nenhum exame e sempre afirmavam que ele estava gripado, que era frescura dele e que meu marido estava bem”, disse. Sem assistência necessária, Antônio apresentou piora no quadro clínico. Ao perceber a situação do esposo, Marta solicitou ao Ministério Público, no dia 29 de março, atendimento médico com especialista visto que o homem não obteve melhora dos sintomas durante tratamento oferecido pela unidade de saúde da CPP.

Apesar da solicitação, o detento não foi liberado. Segundo relatos da mulher, o promotor Marcelo Celestino fixou o prazo de 48h para respostas tanto sobre o estado de saúde do preso, quanto para encaminhamento para atendimento médico especializado. Novamente, conforme Marta, o pedido não foi atendido.

Marta conta que ficou perplexa durante a última visita realizada ao marido, no dia 4 de abril. “Ele estava roxo, com febre alta, muita tosse. O estado de saúde dele era deplorável”, lembra. Ao se deparar com a situação, a mulher comunicou a advogada de defesa do esposo. “Pedi para ela ir lá para ver se conseguia a liberação médica. Somente no dia 11 de abril é que ela conseguiu a transferência dele para a unidade de saúde”.

Descaso

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Parque Flamboyant, o sofrimento vivenciado pela mulher e o marido foram semelhantes ao já ocorrido na cadeia. “Primeiro que nem fui comunicada sobre a transferência. Quando eu ligava na unidade prisional era comunicada que ele estava em saída médica. Se a advogada não tivesse me informado, a direção só iria me ligar para informar que ele havia morrido”, relata.

De acordo com Marta, ao chegar no local da internação, ela se deparou com mais descaso. “Ninguém me informava nada sobre o estado dele. Os agentes falavam que não poderia falar porque não tinham permissão”, lembra. No entanto, apesar da proibição dos agentes, um médico da unidade informou que o marido da mulher apresentava quadro gravíssimo de tuberculose.

Devido ao estado de saúde precário, o homem precisou de uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Porém, por não conseguiu internação por falta de leito. “Eu tentei tirar ele de lá e colocar em uma rede particular, mas não deixaram. A situação foi essa: o estado não ajudou e eu não pude ajudar”, lamenta.

Ainda segundo a mulher, a morte de Antônio poderia ter sido evitada se o atendimento não tivesse sido negligenciado. “O médico me disse que se ele tivesse recebido tratamento antes poderia estar vivo. Ele chegou na UPA com o pulmão em situação precária. Não havia nada a ser feito. A direção da CPP deixou meu marido sair para receber atendimento só para escapar da culpa”, criticou.

Mais Goiás tentou contato com a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), mas não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

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